terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Mais uma ameaça ao Estádio Nacional

Como se não bastasse o projecto de construção do campo de golfe, que roubaria às populações mais de três dezenas hectares dos terrenos públicos que constituem o Complexo do Estádio Nacional e desfiguraria uma parte importante do leito de cheias do Jamor, tiveram agora a ideia extraordinária de construir um pavilhão multi-usos de 10.000 lugares, seguramente com os correspondentes espaços comerciais e de escritórios, em frente ao Estádio de Honra!

Além disso, a Avenida Pierre de Coubertin seria desnivelada e passaria em túnel sob a Praça da Maratona (numa versão "prolongada" da mesma). O edifício dos balneários seria destruído para dar lugar a um outro estádio com 3.000 lugares e estruturas de apoio.

Escusado será dizer que um projecto desta natureza implica a morte de todo o Complexo do Estádio Nacional e o total desvirtuamento dos fins para que foi construído. Implica o fim dum espaço de desporto e lazer das populações para dar lugar a um espaço comercial.

Quando se esperaria de quem nos governa que estudasse alternativas para retirar de dentro do complexo, nem que fosse só ao fim-de-semana, o trânsito excessivo que hoje aí circula e requalificar algumas zonas mais degradadas, o Instituto do Desporto de Portugal e a Câmara Municipal de Oeiras, em parceria com João Lagos, propõem-se construir mais um "shopping" com "sala de espectáculos", um mini-estádio e uma via rápida nesses terrenos...

É difícil encontrar palavras que não sejam ofensivas para expressar a nossa indignação. Perdeu-se toda a vergonha e sentido de Estado neste país.

Pela nossa parte, faremos o que estiver ao nosso alcance para que este projecto demente não se torne realidade.

Notícia completa do jornalista Cipriano Lucas do DN aqui:
http://dn.sapo.pt/desporto/outrasmodalidades/interior.aspx?content_id=1476010

6 comentários:

  1. Caros,

    Acompanho com frequência e interesse as vossas iniciativas, louváveis na defesa de princípios e valores que são essenciais para a vida dos cidadãos que prezam a utilidade de espaços como o do Jamor.
    No caso em concreto desta proposta de criação de novos espaços e redimensionamento de acessos rodoviários, penso que a vossa crítica/opinião contrária é legítima (obviamente) mas não posso concordar com ela. Em particular, porque a argumentação que utilizam não é credível e desnecessariamente agressiva (justificar como a "morte" do espaço sem especificar porquê, não tem qualquer sentido). Não sei se moram na zona e frequentam o espaço que alegadamente defendem, mas eu tenho essa experiência, inclusivé frequento todos os anos o Estoril Open, e posso afirmar que a requalificação do complexo do Jamor já tardava. As condições actuais são demasiado medíocres (qualquer dia o Estádio está em ruína - nem a selecção nacional pode fazer daí a sua casa em competições internacionais - apenas conseguem treinar) para serem defendidas. As pequenas intervenções de requalificação que têm havido (ex. zonas envolventes dos campos de ténis, canal de canoagem) deram sinais de esperança, e vejo com agrado estes projectos mais ambiciosos. De uma vez por todas, reflictam sobre a viabilidade de defendermos "matagais e equipamentos degradados" intransigentemente, quando vemos exemplos internacionais que demonstram claramente requalificações excepcionais de espaços de natureza e desporto.
    Sinceramente, a imagem que transmitem é de uma intransigêcia cega, parecendo que para vós a protecção dos espaços verdes é simplesmente "deixar o mato crescer à vontade, e ai de quem arranque um arbusto da espécie xyz".

    Espero que não me levem a mal com esta última expressão.

    Cumprimentos,
    Miguel Dionísio

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  2. Caro Miguel,

    Não levamos a mal os seus comentários e agradecemos o seu contributo. Estamos longe de ser intransigentes; não confundimos é requalificação com urbanização... que é realmente o que se pretende fazer no Estádio Nacional. Ou vai dizer-me que temos falta de um pavilhão multi-usos naquele espaço e que acha bem que a Av. Pierre Coubertin seja desnivelada e passe a via rápida?

    Cumprimentos,

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  3. Atenção que há outro Pavilhão Multi-usos previsto para a Urbanização de Boa-Viagem, projecto do Arq Taveira e a ser pago pela CMO, localizado no seguimento do parque de estacionamento superior (Junto à prisão de Caxias), no espaço entre o perimetro do EN e a prisão (um pouco acima das Bombas de Gasolina).
    Como não custa nada pedir, já vamos em 2 pavilhoes multi-uso na zona do EN.
    Mas este do Ténis, quem o vai pagar? É o sr. João Lagos? Vai pagar o terreno ao Estád(i)o e depois subsidiar a construção e operação para uma vez por ano ter um torneiozito de ténis e a casa cheia (mais de metade não paga bilhete pois é tudo convites e VIPs...)
    Ou vamos ser nós, contribuintes, que vamos pagar os desvarios do Lagos?
    E a quem vai servir este tal pavilhão do ténis? Aos desportistas? Ou aos bancadistas? O EN deve ser um espaço para desporto e não um centro comercial para espectaculos desportivos.
    Claro que há que modernizar e criar novas instalações desportivas que possam beneficiar a população e os atletas. Mas isso não tem nada a ver com pavilhoes multi-usos.

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  4. Obrigado pelo vosso feedback,

    Sinceramente não vejo o desnivelamento da avenida e a construção do pavilhão como uma "urbanização" da zona envolvente. A construção do pavilhão é louvável, entendo como a construção de uma infra-estrutura que traga para o Jamor um universo de práticas desportivas relavantes, que actualmente não temos capacidade, e este ponto vai ao encontro dos valores que mantém o Jamor como o espaço que é reconhecido hoje em dia, um expoente máximo para a prática desportiva.
    Obviamente temos que pensar sempre na viabilidade financeira dos projectos, e o facto desta construção poder trazer elementos não "desportivos" (utilização para concertos, outras actividades culturais, espaços comerciais para promoção de comércio/artesanato local, exposições, etc) não me parece nada errada, pois a nem sempre teremos provas desportivas nesse espaço, e manter a "vida" ou "movida" no Jamor parece-me uma excelente ideia.
    O desnivelamento da avenida, ou outro tipo de condicionamento rodoviário não me parece que seja uma questão primária, trata-se apenas de dimensionar os acessos ao local de acordo com as necessidades.
    Mas não me entendam mal, penso que a vossa iniciativa é exemplar, e demonstram uma força essencial para a salvaguarda do espaço. Sinceramente, tenho noção que vocês defendem melhor estes interesses, que ambos partilhamos, do que eu próprio.
    Apenas apelo para que também façam um pouco de introspecção e tenham um espírito mais aberto no enquadramento destes problemas.

    Um Abraço

    Miguel Dionísio

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  5. Pois é, essa é também a nossa opinião... Acresce que tem de haver respeito pelas características do espaço: é uma das raríssimas zonas verdes com alguma dimensão que restam entre os concelhos de Lisboa, Oeiras e Sintra. Deve por isso ser preservada e não asfixiada com mais edifícios, muito menos desta dimensão e com este impacto.

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  6. Caro Miguel Dionísio,

    Agradecemos mais uma vez o seu contributo para esta questão. A verdade é que encaramos o espaço de maneira diferente: nós olhamos para o Jamor como um espaço mais próximo da natureza e menos construído, que permita que as pessoas se desloquem a pé com segurança. Que permita que as pessoas possam continuar a dar as suas corridas, passear com os filhos, andar de bicicleta, etc. numa zona essencialmente verde e não cinzenta de betão.
    As manifestações desportivas que já hoje aí se realizam são pontuais e, quando terminam, as populações podem voltar a usufruir dum espaço que é seu por direito há quase 70 anos!
    Um pavilhão multi-usos traria uma perturbação grave e permanente a um espaço que se quer sossegado e de lazer e desporto em tranquilidade. Uma via rápida desnivelada implica que as pessoas deixariam de poder circular livremente, como fazem hoje, cortando em duas metades todo o complexo.
    É muito resumidamente por estas e outras que somos contra o pavilhão multi-usos nos terrenos do Estádio Nacional. Na nossa opinião, é um local totalmente inadequado para situar um equipamento desta natureza.
    Por outro lado, é certamente inaceitável que o dinheiro dos nossos impostos seja gasto em infra-estruturas que vão beneficiar essencialmente interesses particulares e não públicos.

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