terça-feira, 30 de março de 2010

Isto é o que se perspectiva para o Palacete de Santa Sofia!

Quinta de Santa Sofia (Cruz Quebrada)

A Quinta de Santa Sofia, antiga propriedade dos Condes de Tomar, é um património arquitectónico único existente na freguesia da Cruz Quebrada, sendo um dos poucos restantes de elevada importância histórica e arquitectónica e que está em risco de desaparecer!

O Palacete de Santa Sofia (1896) é de autoria do Arquitecto José Luíz Monteiro detentor de obra notável na região de Lisboa sendo autor de obras como a Estação do Rossio em Lisboa (1886) e o Chalet Biester em Sintra (1890) entre outras de referência arquitectónica. O Arquitecto José Luíz Monteiro, conhecido como Mestre Monteiro, esteve fortemente associado a uma tipologia construtiva da época - o Chalet.

Com mestria e baseado numa escolha estilística particular, o Arquitecto José Luíz Monteiro projectou o Palacete de Santa Sofia tornando-o numa obra única caracterizada pelo estilo neo-árabe com frisos de azulejo sobre as janelas e varandas, diversos elementos em ferro forjado e cúpulas mouriscas.

Por outro lado, os magníficos jardins da Quinta de Santa Sofia representam uma reprodução da cerca do Convento de Cristo (Tomar), que também foi propriedade dos Condes de Tomar, e complementam a beleza do Palacete em harmonia, realçando a sua arquitectura singular.

O Plano de Salvaguarda do Património Construído e Ambiental do Concelho de Oeiras identifica o Palacete de Santa Sofia como edifício representativo da tecnologia construtiva da época considerando um raio de protecção de 50 metros.

O projecto de urbanização da Quinta de Santa Sofia, da autoria dos arquitectos CB Arq, promovido pelos actuais proprietários e pelos promotores imobiliários CB Richard Ellis Portugal e em fase de análise pela Câmara Municipal de Oeiras constitui um grave atentado a este património, propondo a destruição dos jardins da Quinta de Santa Sofia e a total descaracterização do palacete e da zona histórica e arquitectónica envolvente. Viola tanto o raio de protecção do palacete propriamente dito, como o raio de protecção da ponte sobre o Jamor.

A título meramente exemplificativo, este projecto prevê “vivendas geminadas” em blocos de 1.200m2 cada, ao passo que o palacete tem uma área que ronda os 800m2, ou seja, apenas 2/3 da área de cada um dos 3 blocos de “vivendas” que pretendem implantar nos seus terrenos. Além desses 3 blocos, o projecto prevê ainda a construção de mais uma “moradia” de 600m2 e uma outra, mais pequena, por trás do palacete.

Esta urbanização terá ainda graves consequências no já muito congestionado tráfego da rua Sacadura Cabral, no sossego e qualidade de vida dos habitantes das ruas envolventes e não se vê como ficará assegurada a segurança contra incêndios, tendo em conta que nenhum dos acessos previstos permite a circulação de carros de bombeiros.

Como se isto não fosse suficiente, o projecto em análise na Câmara Municipal de Oeiras pouco ou nada diz sobre a recuperação do palacete. Os promotores fizeram apenas um pedido de informação prévia para os blocos de elevada volumetria que pretendem construir, tendo-se limitado a dizer que o palacete seria “recuperado”. Para bom entendedor, meia palavra basta...

A população da freguesia da Cruz Quebrada está a mobilizar-se contra este projecto catastrófico de forma a salvaguardar este património único através de abaixo-assinados e outras iniciativas e conta com o apoio de todos para se manifestarem contra mais um atentado que visa apenas defender o benefício de poucos em detrimento dos valores patrimoniais arquitectónicos e históricos que valorizam e que dignificam a freguesia.

Enquadramento e nota histórica sobre o Palacete de Santa Sofia

O Palacete de Santa Sofia está localizado junto à ponte sobre o rio Jamor de construção Filipina (1608), na periferia da zona urbana da Cruz Quebrada, sendo que uma parte dos terrenos do palacete e o palacete propriamente dito estão dentro do perímetro de protecção desta ponte, bem como dentro da zona de protecção do Estádio Nacional (restrições construtivas).

O Palacete de Santa Sofia, que foi em tempos conhecido como o “Palácio Moderno”, foi implantado na Quinta da Bela Vista, que pertenceu ao Conselheiro Bartolomeu dos Mártires Dias e Sousa, pai de Sofia Dias e Sousa, que casou com o 2º Conde de Tomar - António Bernardo da Costa Cabral. Por morte do sogro, o 2º Conde de Tomar herdou esta propriedade (bem como outros imóveis de relevo, de que se destaca o Palácio dos Condes de Tomar onde funciona hoje a Hemeroteca de Lisboa).

Foi o 2º Conde de Tomar que mandou construir o actual Palacete de Santa Sofia. Enquanto aguardava a sua construção, instalou-se numa casa da Calçada do Salão, hoje Calçada Conde de Tomar, na Cruz Quebrada. Nessa época, a Cruz Quebrada era um local de vilegiatura famoso, onde famílias fidalgas e da nobreza, bem como burgueses endinheirados vinham “a banhos”. O Conde de Tomar tinha também casas que arrendava aos banhistas (entre os quais, Pinheiro Chagas), designadamente na Rua Fresca. Essa rua, hoje desaparecida, bordejava o Jamor e havia várias casas de veraneio onde hoje se situa a “raquete” do antigo terminal do eléctrico.

Foi na época do 2º Conde de Tomar que a belíssima réplica de parte da cerca do Convento de Tomar, que ainda hoje existe nos jardins do palacete, foi mandada construir por sua ordem.

A cerca do Convento de Tomar (Cerca ou Quinta dos Sete Montes) foi propriedade do 1º Conde de Tomar e dos seus herdeiros (entre eles, o 2º Conde de Tomar) durante quase um século, depois de ter sido adquirida por António Bernardo da Costa Cabral, Ministro do Reino e 1º Conde de Tomar, em 1837. Esta aquisição verificou-se no seguimento da extinção das ordens religiosas e da anexação dos bens da Ordem de Cristo à Coroa e da sua posterior venda.

A "cerca" mandada construir pelo 2º Conde de Tomar nos jardins do Palacete de Santa Sofia evoca assim a ligação histórica da sua família à cerca do Convento de Tomar.

O Palacete de Santa Sofia passou depois para a família Costa Macedo por casamento de duas filhas do 2º Conde de Tomar, primeiro da sua filha Maria Dias e Sousa da Costa Cabral com António Maria da Costa Macedo em 1898 e, na sequência da morte desta, por casamento deste com a irmã gémea da sua anterior esposa, Luísa Dias e Sousa da Costa Cabral, em 1919.

Do primeiro casamento de António da Costa Macedo nasceram 7 filhos, que deram origem aos actuais proprietários do palacete, já que do 2º casamento não houve descendência.

Duas das filhas de António da Costa Macedo doaram importante documentação do 2º Conde de Tomar e do Conselheiro Bartolomeu dos Mártires Dias e Sousa à Torre do Tombo, onde pode ser consultada.

Quanto aos terrenos da Quinta de Santa Sofia, uma parte importante foi loteada nos anos 70, para construção de prédios e moradias nas três ruas envolventes (Bento de Jesus Caraça, Sociedade Cruz Quebradense, Calçada do Conde de Tomar). Dos terrenos originais ficou cerca de 1 hectare, onde se situa o Palacete, uma construção mais antiga e os jardins com árvores centenárias, onde se encontra a réplica da cerca do Convento de Cristo.


quarta-feira, 24 de março de 2010

Para quem não conhece...





Estas fotografias foram tiradas no Monte de Santa Catarina, uma das colinas que ladeia o Vale do Jamor. O antigo moinho, arranjado como pitoresca moradia bucólica, foi refúgio do esquecido poeta e filósofo Xavier de Lima, antes de servir como posto rádio-amador e de estar agora ao abandono...

quinta-feira, 18 de março de 2010

Notícia do Record sobre a contaminação da água

Esta notícia do Record traz mais informações sobre a questão da contaminação da água:

Água dos furos contaminada

O Delegado Regional de Saúde emitiu ontem uma informação destinada à população a comunicar que tinham sido detectadas falhas na desinfecção da água proveniente de dois furos localizados no Complexo Desportivo do Jamor, resultantes em grave risco para a saúde humana devido a ter sido detectada contaminação microbiológica dessa água, nomeadamente por bactérias fecais.

Por isso, proibiu a sua utilização para banhos e consumo humano até que as anomalias sejam corrigidas.

Como só parte do complexo é que é abastecida por estes furos, a proibição abrange:

1 - O estádio principal (nº 1) e os seus balneários e o café;
2 -A secção de rugby e o ginásio adjacente.

Por nós, esperamos que a origem da contaminação da água dos furos seja investigada para que se possa descobrir o que está a acontecer. Naturalmente, também esperamos que as falhas na desinfecção da água sejam corrigidas o mais depressa possível.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Acesso à pista de corta-mato e ponto da situação do campo de golfe

A estrada de acesso à pista de corta-mato já está limpa, mas o problema de fundo não está resolvido. Isto quer dizer que se voltar a chover com alguma intensidade, vai ficar novamente obstruída...

Quanto ao resto, continuamos a aguardar que o meritíssimo juiz pronuncie a sentença sobre a providência cautelar, cujo processo está concluso desde finais de Novembro do ano passado. Não temos explicação para esta demora.

Naturalmente, os promotores do campo de golfe estão a aproveitar e as obras vão progredindo como se nada fosse.

terça-feira, 9 de março de 2010

Linha de água junto pista de corta-mato




Aqui ficam mais duas imagens da linha de água junto à pista de corta-mato, que saiu do seu curso e arrastou pedra e lamas para a estrada. A estrada ainda não está limpa, nem as condutas desobstruídas, mas a "cratera" que ficou na encosta já está vedada do lado superior.


segunda-feira, 8 de março de 2010

Consequência do corte das canas... e outras notícias

Esta é a consequência visível do corte irreflectido das canas na encosta de Linda-a-Velha junto à pista de corta-mato... Se não as tivessem cortado levianamente, todas estas pedras e lama (ou pelo menos uma boa parte) teriam ficado retidas e não teriam vindo para a estrada, que está neste estado lamentável...

Em consequência, já se verifica a acumulação de pedras com alguma dimensão no leito do rio nessa zona e as condutas de drenagem estão parcialmente obstruídas, pelo que a situação tenderá a agravar-se.

Será que ninguém olha para isto no IDP? Ou será que só as obras do campo de golfe, a drenagem do ténis e, agora, a montagem da estrutura para o Estoril Open é que importam?

Quanto à interrupção da Estrada da Costa que se verificou no final da semana passada, ao contrário do que foi dito na altura por um polícia, o que se verificou realmente foi a reparação de uma canalização, que obrigou ao corte da estrada.

Quanto ao Estoril Open, a montagem das estruturas já começou, pelo que vão começar as restrições ao uso do espaço.

domingo, 7 de março de 2010

Estrada das Biscoiteiras e descarga / captação de água

A estrada das Biscoiteiras já está aberta e pode circular-se sem restrições.

Quanto à situação da descarga / captação de águas no Jamor que tínhamos denunciado às autoridades, o SEPNA veio agora esclarecer que essa situação se ficou a dever à limpeza das condutas de drenagem com jacto de água, como já tínhamos dito aqui no blogue, na sequência dos esclarecimentos dados pela empresa envolvida nos trabalhos. Segundo o SEPNA, a captação de água para proceder a essa limpeza não é ilegal porque foi feita com bomba que não ultrapassa os 5 Cv.

A empresa envolvida nos trabalhos tinha-nos assegurado que não tinha havido nenhuma captação e que esta era desnecessária para proceder à limpeza das condutas devido ao processo utilizado. Confirma-se agora que essa captação existiu, mas que tudo se processou dentro da legalidade devido à potência da bomba utilizada.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Vai chover ainda mais!

Atenção! A fazer fé nas previsões meteorológicas, a chuva vai aumentar agora a partir das 18h por isso estejam atentos!

Estrada das Biscoiteiras cortada!

A estrada da Costa/estrada das Biscoiteiras está cortada devido a um abatimento da via, entre a FMH e Linda-a-Velha. Por isso, a circulação entre Linda-a-Velha e a Cruz Quebrada tem de ser feita pelo Dafundo ou pela estrada junto ao Hotel Solplay/alto da Cruz Quebrada.

As obras do campo de golfe estão transformadas num tremendo lamaçal...

Por seu turno, o rio Jamor está bastante alto. Se o curso da linha de água que vem de Linda-a-Velha na zona da pista de corta-mato não for corrigido rapidamente, poderá verificar-se uma obstrução do rio nesse ponto. Neste momento, essa linha de água saiu do seu curso normal e está a escorrer pela encosta, arrastando pedras e lama.