segunda-feira, 31 de maio de 2010

O SEJD em "Discurso Directo"

"Discurso Directo" com Laurentino Dias, Secretário de Estado da Juventude e Desporto (SEJD) publicado no Diário de Notícias:

"O que se passa com o complexo desportivo do Jamor? É verdade que uma parte foi vendida e será urbanizada?

Não. Esses terrenos sobre os quais houve notícias são propriedade camarária, de Oeiras. A única coisa que foi pedida ao Instituto do Desporto foi autorização para obras várias…

Sem as quais não haveria urbanização das três parcelas de terreno…?

Talvez, mas o nosso ganho é desviar o tráfego automóvel intenso que todos os dias cruza o parque desportivo. Estamos à espera que nos dêem garantias nesse sentido.

E se assim for?

Se assim for o Jamor terá duas rotundas e um túnel e ficará mais silencioso porque vão passar menos automóveis.

Quanto ganha o Instituto do Desporto com isso?

Cerca de dois milhões de euros. Mas que ninguém pense que neste processo é o dinheiro que conta."

Ora bem, esta entrevista só mostra como o Secretário de Estado da Juventude e Desporto (SEJD) está pouco informado ou mente sobre o que se passa no IDP e no Complexo Desportivo do Jamor...

Em primeiro lugar, os terrenos em causa são terrenos do Estado directamente e não da Câmara Municipal de Oeiras. Temos na nossa posse cópia das certidões prediais que provam isso mesmo e que se trata de prédios urbanos novos, criados (ilegitimamente) pelo IDP em 2008 e 2009.

Não será desviado nenhum tráfego do Complexo Desportivo do Jamor, bem pelo contrário. O empreendimento imobiliário que o IDP pretende facilitar apenas induzirá mais tráfego, caso venha a ser construído. Isso mesmo é reconhecido por todos os intervenientes, bem como por todos os especialistas.

Por outro lado, os acessos ao referido empreendimento prevêem um viaduto implantado na colina da mata do Jamor, bem como uma rotunda e vias rápidas em plena mata do Jamor. Por isso, quanto a menos tráfego e a menos ruído estamos conversados...

E isto sem entrar na discussão do proposto desnivelamento da Avenida Pierre Coubertin e na sua transformação em via rápida (será esse o "túnel" referido pelo SEJD?), um projecto seguramente do agrado dos que pretendem pôr o Jamor ao serviço dos seus interesses particulares, embora não de todos quantos o utilizam desinteressadamente no dia-a-dia.

Por outro lado, o que está em causa não é só a "urbanização" das 3 parcelas postas à venda, mas sim o índice de construção no terreno do Alto da Boa Viagem, que será assim altamente beneficiado ao não ter de construir os acessos viários nem uma infindade de espaços de estacionamento dentro do seu próprio terreno. Para isso, estão lá os terrenos públicos, gentilmente "disponibilizados" pelo IDP!

Quanto ao IDP ganhar dois milhões de euros com essa venda, deve dizer-se o seguinte:

Se são terrenos camarários, como afirma o SEJD, por que carga de água é que o IDP recebe dinheiro com a sua venda?

Se não são, como nós afirmamos, o dinheiro também não irá para os cofres do IDP pelo simples motivo que os terrenos não lhe pertencem. O IDP apenas está encarregue da sua gestão. Por isso, o dinheiro irá direitinho para os cofres do Ministério das Finanças. Aliás, a venda está a ser promovida pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, a entidade com competência para proceder à alienação de imóveis do Estado.

Por fim, tendo tudo isto em conta, seria preferível não ter afirmado que "ninguém pense que neste processo é o dinheiro que conta".

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Carta enviada ontem ao Ministro das Finanças

Exmo. Sr. Ministro das Finanças

Prof. Teixeira dos Santos

Assunto: Venda de terrenos do Estádio Nacional em hasta pública

Exmo. Sr. Ministro das Finanças,

Teve esta associação conhecimento no passado dia 21 de Maio de que o Estado, por intermédio da Direcção-Geral do Tesouro e das Finanças, tinha aberto concurso para alienação de imóveis, estando a respectiva abertura das propostas marcada para os próximos dias 22 e 23 de Junho. O anúncio deste concurso pode ser consultado em:

http://www.dgtf.pt/patrimonio-imobiliario/venda/imoveis-disponiveis/pagina/2

Entre os imóveis a alienar encontram-se 3 parcelas de terreno que fazem parte integrante do Complexo Desportivo do Jamor (Estádio Nacional).

Como é certamente do conhecimento de V. Exa., os terrenos que formam hoje o Complexo Desportivo do Jamor resultaram de processos expropriativos levados a cabo nos anos 40 do século passado com o fim de criar um parque de lazer e desporto para as populações. Por lei, a sua gestão encontra-se actualmente confiada ao Instituto do Desporto de Portugal, I.P. (IDP).

Alarmados com a perspectiva de venda de património público utilizado por milhões de pessoas e uma peça essencial, a par com Monsanto, da estrutura verde da nossa capital, no dia 24 de Maio deslocámo-nos à Direcção-Geral do Tesouro e das Finanças para consultar os processos relativos a estes imóveis.

Dessa consulta resulta que os imóveis em causa não correspondem a parcelas sobrantes para as quais o IDP não tivesse uso, mas sim a terrenos que foram destacados propositadamente do Complexo Desportivo do Jamor a pedido duma empresa de construção civil, a Sociedade de Construção e Urbanização Vicente Antunes (SCUVA).

Essa sociedade é proprietária dum terreno confinante com os terrenos do Estádio Nacional e projecta construir aí um empreendimento imobiliário de grande dimensão, conhecido por Alto da Boa Viagem. Face à regulamentação em vigor, essa volumetria não é possível no terreno em causa, nomeadamente por causa de dois aspectos: os acessos e o número de espaços de estacionamento. Se tivesse de construir os acessos e todos os espaços de estacionamento necessários dentro do seu próprio terreno, o empreiteiro em causa não conseguiria construir toda a volumetria a que se propõe.

Em 2003, a Câmara Municipal de Oeiras, que também se conta entre os promotores do empreendimento do Alto da Boa Viagem, contactou o IDP alegadamente para que este desse parecer sobre este empreendimento.

Mais tarde, foi a vez da SCUVA contactar o IDP a mostrar o seu interesse na aquisição dos terrenos agora em hasta pública e a solicitar-lhe que este destacasse do património do Estádio Nacional três parcelas, com o propósito por um lado, de implantar acessos rodoviários e, por outro, possibilitar que dois parques de estacionamento do Estádio Nacional passassem a poder servir o empreendimento do Alto da Boa Viagem, a saber, o estacionamento do Estádio de Honra e o estacionamento poente, dispensando assim a SCUVA de construir os acessos viários e todos esses espaços de estacionamento nos seus próprios terrenos, libertando-os para mais edificações.

O IDP, com base em plantas da própria SCUVA, destacou três parcelas do património do Estado integrantes do Complexo Desportivo do Jamor (Estádio Nacional) e promoveu o seu registo como prédios urbanos novos em 2008 e 2009.

O conteúdo dos processos indicia que terá havido uma tentativa de alienação por ajuste directo, contrariada pelos serviços que V. Exa. tutela e que vieram determinar que a venda se fizesse por hasta pública. Decorre ainda dos processos que haverá (pelo menos) uma quarta parcela, esta situada na freguesia de Queijas e cujo destino desconhecemos, podendo mesmo eventualmente já ter sido alienada por ajuste directo.

Tendo em conta que dum ponto de vista do ordenamento do território não é permitida a urbanização dos terrenos em causa e que as três parcelas foram desenhadas a regra e esquadro à medida da SCUVA, trata-se duma “hasta pública” à medida desta última, pois as três parcelas só têm interesse económico para uma única entidade, precisamente a SCUVA.

Na verdade, para além deste empreiteiro, ninguém estará seguramente interessado em comprar 11.500 m2 sem aptidão construtiva na zona dos estacionamentos do topo do Estádio de Honra (parcela A1), com a configuração exacta necessária para construir uma rotunda e vias rodoviárias. Da mesma forma, não vemos, para além da SCUVA, quem possa estar interessado em 1.275m2 da encosta da mata do Estádio Nacional (parcela A2), encaixados entre a Marginal e a Estrada Nacional, sem nenhuma capacidade construtiva de habitação, comércio ou indústria. Por fim, também não haverá seguramente nenhum interessado, sem ser a SCUVA, em comprar 6.235m2 (parcela A3) correspondentes às faixas de terreno pelo meio do estacionamento poente do Estádio Nacional, em grande parte coincidentes com arruamentos já existentes.

Temos assim que o IDP veio criar três imóveis novos com o fim de permitir uma maior volumetria de construção no terreno de um particular. Mas fez mais do que isso. Com esse gesto, veio abrir caminho a que dois parques de estacionamento do Estádio Nacional passassem a poder servir um empreendimento particular. Pior, no estacionamento poente (parcela A3), a parcela destacada pelo IDP vem cortar ao meio o terreno do próprio Estado.

Acresce a tudo isto que esse gesto permitiria a devassa total da mata do Estádio Nacional, na qual passariam a estar implantados um viaduto, uma rotunda e acessos rodoviários a um empreendimento particular.

O IDP veio agora declarar à imprensa que os terrenos correspondem a “lotes devolutos”, esquecendo-se de informar que foi ele próprio que criou os ditos “lotes” e que a sua noção de “devoluto” corresponde, no caso concreto, a arvoredo e arruamentos de dois parques de estacionamento do Estádio Nacional e a uma faixa da colina da mata do Jamor.

Por fim, deve assinalar-se que a Câmara Municipal de Oeiras é precisamente a mesma câmara que permitiu as obras ilegais promovidas pelo IDP no Complexo Desportivo do Jamor nos últimos anos: o pavilhão dos courts cobertos de ténis, a nave coberta de atletismo e o chamado “campo de golfe público”, este último contestado por nós num processo judicial ainda em curso.

Tendo em conta o exposto, vimos pedir a V. Exa. que anule o referido concurso público na parte relativa às três parcelas integrantes do Complexo Desportivo do Jamor e que o próprio Estado promova a sua reintegração nos terrenos de onde nunca deveriam ter sido destacadas. Solicitamos também a V. Exa. que averigúe o destino da quarta parcela referida nos processos em causa, para que se possa apurar se foi alienada e em que termos. Por fim, tendo em conta todas as circunstâncias deste caso, pedimos também que se averigúe se haverá outras parcelas dos terrenos do Complexo Desportivo do Jamor que tenham também sido destacadas e, em caso afirmativo, qual foi o seu destino.

Embora tenhamos fé que o sentido de Estado de V. Exa. prevaleça, tendo em conta a gravidade e a urgência da situação, a Liga dos Amigos do Jamor irá proceder desde já ao seu enquadramento jurídico e recorrer aos meios ao seu dispor para se opor a este grave atentado ao património do Estado e das populações. Da mesma forma, irá promover a mais ampla divulgação desta situação junto das instituições do Estado e da opinião pública para que casos como este não possam ficar impunes.

Ficamos ao inteiro dispor de V. Exa. para todos os esclarecimentos que entender necessários e asseguramos-lhe que pode contar com toda a nossa colaboração para defender o património do Estado.

Com os nossos melhores cumprimentos,

Liga dos Amigos do Jamor

Perfil no Facebook

A Liga dos Amigos do Jamor criou um perfil no Facebook. Não deixe de visitar esse nosso novo canal de divulgação!

Localização das parcelas em hasta pública


Esta é a localização aproximada das 3 parcelas do Estádio Nacional em hasta pública. Para que todos vejam do que estamos a falar.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Medidas a tomar

A Liga dos Amigos do Jamor reuniu ontem para decidir as medidas a tomar para se opôr à projectada venda de terrenos do Estádio Nacional.

Foi decidido solicitar ao Ministro da Economia que cancele a venda em causa e foi também decidido promover a maior divulgação possível deste problema.

Por fim, a Liga dos Amigos do Jamor está a analisar este caso dum ponto de vista jurídico.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Versão do IDP

Segundo as notícias que saíram ontem na comunicação social, ficámos a saber que:

  1. O IDP promoveu a criação das parcelas enquanto imóveis autónomos e a sua venda em hasta pública porque a Sociedade de Construções Vicente Antunes se mostrou interessada em comprá-las.
  2. O IDP considera aqueles terrenos "parcelas devolutas".
  3. O IDP acha que os acessos viários que o empreiteito pretende construir irão melhorar muito o trânsito na zona e beneficiar o Complexo Desportivo do Jamor.

Disto decorre o seguinte:

  1. Basta dirigirmo-nos a uma entidade pública e dizer que estamos interessados em comprar um bocadinho dum imóvel sob a sua tutela para que este bocadinho seja destacado, registado como prédio urbano e posto à venda. Levando isto ao absurdo, podemos pedir que destaquem um bocadinho dos jardins dos Jerónimos para construir uma moradia, por exemplo. Podemos pedir que nos vendam uns metros da Assembleia da República para montar uma loja e assim por diante...
  2. A noção de "parcela devoluta" do IDP corresponde, no caso concreto, a arruamentos e arvoredo dos parques de estacionamento do Estádio de Honra e poente e uma faixa da colina da mata do Jamor. Uma dessas "parcelas devolutas", mais precisamente a A3, corta ao meio o estacionamento poente, ou seja, corta ao meio o terreno do próprio Estado.Por esta ordem de ideias, todo o Complexo Desportivo do Jamor é composto por "parcelas devolutas", à excepção das áreas onde estão implantadas as infra-estruturas desportivas.
  3. Os moradores de Caxias, Queijas, Cruz Quebrada, Linda-a-Pastora e Linda-a-Velha seguramente discordam da "melhoria" para o trânsito (para não falar do ambiente) que resultará do acréscimo de viaturas induzido pelo mega-empreendimento que pretendem construir, sejam os acessos viários quais forem. Da mesma forma, os milhões de utilizadores e visitantes do Complexo Desportivo do Jamor discordam seguramente dos "benefícios" decorrentes de passar a ter um viaduto e uma rotunda implantados na mata do Jamor e de dois dos seus parques de estacionamento passarem a ser utilizados pelo empreendimento do Alto da Boa Viagem.

A quem pretendem enganar?

Venda de terrenos do Estádio Nacional - esclarecimentos

Por algumas reacções que tivemos ao nosso artigo de ontem, apercebemo-nos que não ficou totalmente claro que as três parcelas em causa não existiam enquanto tais.

O que se passou foi que o IDP separou dos terrenos do Estádio Nacional três parcelas segundo plantas fornecidas pela Sociedade de Construções Vicente Antunes e registou-as como prédios urbanos novos, com o fim de as vender a este empreiteiro.

Essas parcelas correspondem aos terrenos necessários para implantar acessos rodoviários ao empreendimento do Alto da Boa Viagem, por um lado, e, por outro, permitir que dois parques de estacionamento do Estádio Nacional (o do topo do Estádio de Honra e o poente) passem a poder servir este empreendimento, aumentando assim em ambos os casos o espaço disponível neste último para construir prédios.

Por outro lado, o facto da venda estar a ser feita em hasta pública é totalmente irrelevante porque as três parcelas em causa, devido às suas características, só têm interesse económico para a Sociedade de Construções Vicente Antunes, tratando-se portanto dum concurso à medida desta sociedade.

É disto que estamos a falar, não de parcelas já existentes que estivessem para lá desaproveitadas e que o IDP tivesse resolvido vender para fazer dinheiro para reduzir o défice público.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Venda de terrenos no Estádio Nacional em hasta pública

A Liga dos Amigos do Jamor teve conhecimento na passada sexta-feira que a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças iria vender três parcelas de terreno integrantes do Estádio Nacional em hasta pública. O anúncio deste concurso pode ser consultado em:

http://www.dgtf.pt/patrimonio-imobiliario/venda/imoveis-disponiveis/pagina/2

Tendo consultado hoje os processos referentes às três parcelas em causa, a Liga dos Amigos do Jamor apurou que se trata de três parcelas de terreno desanexadas propositadamente dos terrenos integrantes do Estádio Nacional (Complexo Desportivo do Jamor) em 2008 e 2009, num processo que aparentemente teve o seu início em 2007.

Essa desanexação foi feita na sequência dum pedido da Sociedade de Construções Vicente Antunes, interessada em comprar os referidos terrenos, e foi promovida pelo Instituto de Desporto de Portugal, I.P. (IDP). As parcelas em causa destinam-se a construir os acessos viários ao projectado empreendimento do Alto da Boa Viagem e correspondem aos seguintes terrenos:

  • Parcela A1 (11.500m2) fica no topo noroeste do Estádio de Honra e destina-se a construir uma rotunda e nó rodoviário de acesso ao empreendimento do Alto da Boa Viagem, na zona dos actuais estacionamentos do Estádio de Honra.
  • Parcela A2 (1.275m2) fica na curva entre a Marginal e a via de acesso à A5/CREL e destina-se a implantar parte do viaduto que dará acesso ao empreendimento do Alto da Boa Viagem.
  • Parcela A3 (6.235m2) fica na zona dos estacionamentos noroeste (já na freguesia de Caxias), a oeste da via de acesso à A5/CREL e compreende os terrenos necessários para construir as vias destinadas ao empreendimento do Alto da Boa Viagem, não o espaço dos estacionamentos propriamente dito

Daqui resulta que as três parcelas em causa não correspondem a parcelas sobrantes do Estádio Nacional, nem devolutas, mas pura e simplesmente a parcelas criadas propositadamente pelo IDP para servir interesses imobiliários particulares.

A Liga dos Amigos do Jamor não tenciona deixar passar em branco mais este atentado ao Estádio Nacional e a bens públicos.

domingo, 23 de maio de 2010

Fim de festa

Num momento em que cresce o sentimento de que este Governo não vai durar muito mais, é a corrida ao "despacho" de última hora, enquanto ainda há tempo, numa tentativa de comprometer o Estado antes que venham os próximos.

Só assim se explica o recente despacho do Secretário de Estado da Juventude e Desporto a "mandar" construir o campo de golfe no Jamor, uma obra que já dura há mais de um ano... e que ele já tinha "mandado" construir há muitos meses.

Só assim se explica que sejam postos à venda terrenos do Estádio Nacional.

Quantos mais destes projectos e decisões não estão a ser "despachados" no preciso momento em que estas linhas estão a ser escrita?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Terrenos integrantes do Estádio Nacional em hasta pública!

Ao que nós chegámos! No site do Ministério das Finanças está um anúncio de venda de vários imóveis em hasta pública, incluindo 3 PARCELAS DE TERRENO QUE FAZEM PARTE INTEGRANTE DO ESTÁDIO NACIONAL!

Uma delas corresponde ao estacionamento poente e outras duas ainda não conseguimos identificar.

É assim, terrenos que foram expropriados para construir um espaço de lazer e desporto para as populações são agora vendidos em hasta pública, seguramente para urbanizar e encher os bolsos de quem não precisa, com a benção desta gentinha que nos governa.

QUE VERGONHA!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mais uma cruz para a Cruz Quebrada

Com um aviso criteriosamente distribuído apenas nalgumas zonas da Cruz Quebrada e curiosamente não noutras, conhecidas pela sua oposição a alguns dos "maravilhosos" projectos urbanísticos apadrinhados pela Câmara de Oeiras, realizou-se no dia 18 uma "sessão de esclarecimento" sobre o Plano de Pormenor para os terrenos da Gist Brocades e da Lusalite.

Para quem não saiba, esta ideia de fazer um plano de pormenor para a área veio da parte do promotor imobiliário dono dos terrenos e foi acarinhada pela Câmara. Vai daí e contratam a Universidade Nova, numa tentativa de dar credibilidade científica ao projecto subjacente a tudo isto.

Na dita sessão, foi tudo muito vago e genérico, embora o que esteja em cima da mesa seja bem concreto. E o que é que está em cima da mesa?

Pois bem, são cerca de 83.000 m2 de construção numa área com cerca de 55.200 m2, são 400 fogos (ou seja, uns 800 moradores e outros tantos carros), um hotel, uma creche, uma marina e um parque de estacionamento de 450 lugares. Parece que haverá também uma piscina (que não será seguramente gratuita). Tudo isto será servido por um "lindíssimo" viaduto que prolongará a CRIL desde Algés até a essa área e, depois, até ao Alto da Boa Viagem. O dito viaduto passará junto ao rio, à altura dum 1º andar...

Falta ainda dizer que as torres que pretendem construir no local deverão ter uns 30 andares, ou seja, cerca de 100 metros de altura.

Para os moradores da Cruz Quebrada, o que significa isto? Significa um trânsito ainda mais infernal, um aumento exponencial do ruído e da poluição em virtude do acréscimo de tráfico induzido pelo "empreendimento", o fim da praia da Cruz Quebrada, transformada em marina, com toda a carga de poluição que isso implica e, por fim, passar a ver torres de 30 andares na foz do Jamor... Para as pessoas que moram de frente para o rio desde Algés até ao Estádio Nacional, significa também passarem a ter um viaduto em frente da janela.

Para o comércio e restaurantes da Cruz Quebrada, não significa nada, a não ser mais concorrência, pelo simples facto que o dito empreendimento terá zonas comerciais e de restauração...

Em termos ambientais e de risco para as populações, então será mais um desastre. Os terrenos em causa são leito de cheia, área inundável, foz de um rio sujeito a um regime de cheias violentas, terrenos integrantes da REN, terrenos integrantes do domínio público hídrico, zona sujeita a acção das marés, zona sujeita a submersão em virtude do aumento do nível médio do mar... tudo isto a desaconselhar fortemente a construção, senda esta inclusivamente proibida em quase toda esta área, com excepção do que já lá existe (e que nunca deveria ter sido lá posto).

Vemos assim, que há aqui alguns "problemas" a serem ultrapassados para levar este projecto por diante.

Felizmente para nós, os ditos "problemas" não são ultrapassáveis com facilidade (precisam pelo menos de um super PIN) e a crise também tem as suas virtudes. Quem é que vai pôr o seu dinheiro num empreendimento situado numa zona de alto risco natural? É que o tempo de comprar tudo o que fosse casa já passou e não vai voltar tão cedo. Por aqui podemos estar descansados, mas ficamos atentos.

Magia, milagres e malabarismos

Recebemos cópia dum requerimento entregue pelo IDP em tribunal no âmbito da providência cautelar. Gastou umas 15 páginas de bom papel a tentar mudar factos com palavras...

Senão, vejamos. Veio o IDP dizer (mais uma vez) que a obra não precisava de licenciamento camarário porque era uma obra directa do Estado. A sustentar esse entendimento, junta um despacho do Secretário de Estado da Juventude e Desporto (SEJD) a "mandar" o IDP construir o campo de golfe.

O facto do IDP, o dono da obra, ser um instituto público com autonomia júridica e financeira e parte integrante da administração indirecta do Estado é convenientemente esquecido, tanto pelo IDP como pela Câmara de Oeiras (CMO), tendo esta última declarado pressurosamente que a obra podia prosseguir...

Assim, para o IDP e para a CMO, as palavras (mágicas) do SEJD fizeram o milagre de transformar uma obra do IDP numa obra da Secretaria de Estado da Juventude e Desporto!

Por outro lado, juntaram também correspondência com a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), em que o IDP pede à SEA que "despache" a obra, coisa que a SEA recusou por considerar que as obras em causa não estavam sujeitas a despacho seu (aliás, nós nunca dissemos que estavam, neste contexto).

E qual é a conclusão que o IDP retira desta recusa de despacho da SEA? Numa demonstração extraordiária de malabarismo, afirma que a obra é absolutamente regular!

Entre magia, milagres, malabarismos e o silêncio ensurdecedor do tribunal desde 26 de Novembro, esta novela continua, sem fim à vista.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Campo de golfe avança do lado de cá


A vala junto à pista de corta-mato que se vê na imagem é um passo necessário para ligar o furo, que está deste lado do rio, à pista de golfe, que está na outra margem. E aqui vemos como bens públicos estão a ser desviados para usos privados, com a maior das complacências das autoridades administrativas e dos tribunais. Até quando este assalto aos bens que são de todos nós para os pôr ao serviço de só alguns? Para quando a decisão do tribunal sobre a providência cautelar, neste momento com um atraso de quase 6 meses?

sábado, 1 de maio de 2010

É tudo nosso!

Este ano, o espaço ocupado pelo Estoril Open e as restrições à utilização do espaço pelo público em geral ultrapassam todas as marcas!

Nós, que pagamos uma boa parte (a maior parte?) do "evento" com o dinheiro dos nossos impostos, fomos postos na rua sem cerimónia, do lado de cá das grades.

Ocuparam o espaço do antigo terminal dos eléctricos, deixando os moradores da Cruz Quebrada sem lugar para estacionar. Fecharam a ponte entre os campos de râguebi e os campos de ténis. Fecharam o caminho que sai da ponte da pista de canoagem. Fecharam a ponte do ténis. Cortaram o acesso à pista de corta-mato. Ocuparam o estacionamento da canoagem, o estacionamento do ténis, o estacionamento do Estádio de Honra...

Basicamente, apropriaram-se de todo o vale, de todos os estacionamentos, pondo literalmente na rua os restantes utilizadores.

Como é possível senhores do IDP e da CMO que tenham permitido isto? Como é possível senhores da ARHT e do IGAOT que assistam impávidos a esta vergonha? A restrições intoleráveis ao acesso a espaços públicos, ao domínio hídrico público, ao estacionamento selvagem nas margens do Jamor, à utilização da pista de corta-mato para estacionamento?

QUE VERGONHA! PROTESTEM! TELEFONEM OU MANDEM UM E-MAIL PARA O IDP, PARA A POLÍCIA, PARA A ARHT OU PARA O IGAOT. CHEGA DE NOS TRATAREM DESTA FORMA!

QUEM É QUE ESTA GENTE QUE VIVE DOS NOSSOS IMPOSTOS JULGA QUE É?