quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mais uma cruz para a Cruz Quebrada

Com um aviso criteriosamente distribuído apenas nalgumas zonas da Cruz Quebrada e curiosamente não noutras, conhecidas pela sua oposição a alguns dos "maravilhosos" projectos urbanísticos apadrinhados pela Câmara de Oeiras, realizou-se no dia 18 uma "sessão de esclarecimento" sobre o Plano de Pormenor para os terrenos da Gist Brocades e da Lusalite.

Para quem não saiba, esta ideia de fazer um plano de pormenor para a área veio da parte do promotor imobiliário dono dos terrenos e foi acarinhada pela Câmara. Vai daí e contratam a Universidade Nova, numa tentativa de dar credibilidade científica ao projecto subjacente a tudo isto.

Na dita sessão, foi tudo muito vago e genérico, embora o que esteja em cima da mesa seja bem concreto. E o que é que está em cima da mesa?

Pois bem, são cerca de 83.000 m2 de construção numa área com cerca de 55.200 m2, são 400 fogos (ou seja, uns 800 moradores e outros tantos carros), um hotel, uma creche, uma marina e um parque de estacionamento de 450 lugares. Parece que haverá também uma piscina (que não será seguramente gratuita). Tudo isto será servido por um "lindíssimo" viaduto que prolongará a CRIL desde Algés até a essa área e, depois, até ao Alto da Boa Viagem. O dito viaduto passará junto ao rio, à altura dum 1º andar...

Falta ainda dizer que as torres que pretendem construir no local deverão ter uns 30 andares, ou seja, cerca de 100 metros de altura.

Para os moradores da Cruz Quebrada, o que significa isto? Significa um trânsito ainda mais infernal, um aumento exponencial do ruído e da poluição em virtude do acréscimo de tráfico induzido pelo "empreendimento", o fim da praia da Cruz Quebrada, transformada em marina, com toda a carga de poluição que isso implica e, por fim, passar a ver torres de 30 andares na foz do Jamor... Para as pessoas que moram de frente para o rio desde Algés até ao Estádio Nacional, significa também passarem a ter um viaduto em frente da janela.

Para o comércio e restaurantes da Cruz Quebrada, não significa nada, a não ser mais concorrência, pelo simples facto que o dito empreendimento terá zonas comerciais e de restauração...

Em termos ambientais e de risco para as populações, então será mais um desastre. Os terrenos em causa são leito de cheia, área inundável, foz de um rio sujeito a um regime de cheias violentas, terrenos integrantes da REN, terrenos integrantes do domínio público hídrico, zona sujeita a acção das marés, zona sujeita a submersão em virtude do aumento do nível médio do mar... tudo isto a desaconselhar fortemente a construção, senda esta inclusivamente proibida em quase toda esta área, com excepção do que já lá existe (e que nunca deveria ter sido lá posto).

Vemos assim, que há aqui alguns "problemas" a serem ultrapassados para levar este projecto por diante.

Felizmente para nós, os ditos "problemas" não são ultrapassáveis com facilidade (precisam pelo menos de um super PIN) e a crise também tem as suas virtudes. Quem é que vai pôr o seu dinheiro num empreendimento situado numa zona de alto risco natural? É que o tempo de comprar tudo o que fosse casa já passou e não vai voltar tão cedo. Por aqui podemos estar descansados, mas ficamos atentos.

5 comentários:

  1. Vivo na Cruz Quebrada e estou pronto a integrar um Movimento contra o projecto da Lusalite, que prevê a construção de 2 torres de 30 andares cada, um hotel, um viaduto (!), um centro comercial e uma marina, À BEIRA RIO. Quem quiser participar que se pronuncie. Deixo o meu contacto: pintosou@gmail.com.
    Pela minha parte, vou contactar imediatamente um amigo que é deputado europeu, para saber como podemos denunciar este atentado contra o ambiente.

    ResponderEliminar
  2. Caro Adão,

    Muito obrigada pelo seu apoio. Entraremos brevemente em contacto consigo por e-mail.

    ResponderEliminar
  3. Boa tarde,

    Quero começar desde já a fazer algo para não deixar que este desastre aconteça!
    Vivendas de 3 andares sim, torres de 30 não!

    Pai, já vi que comentaste e que vais começar a mexer-te!

    E nós, jovens da cruz-quebrada, o que podemos fazer?

    Obrigada,
    Sara HS

    ResponderEliminar
  4. Sara,
    Obrigada pela sua mensagem! Vamos entrar em contacto com o seu pai assim que possível. Se já viu o resto dos artigos deste blogue, deve calcular que a nossa prioridade absoluta é a venda de terrenos do Estádio Nacional. Pode não parecer, mas os 2 assuntos estão interligados!
    Obrigada pela compreensão!

    ResponderEliminar
  5. Caros amigos,
    Embora more no Alto de Queijas, compreendo as V/atitudes em relação ao projecto para a zona da Lusalite. Não só prejudica a Cruz Quebrada/Dafundo, como prejudica também esta zona.
    Estou com vocês nos protestos contra este empreendimento.
    Mário Ganso
    28/08/10

    ResponderEliminar