quinta-feira, 23 de setembro de 2010

As Quintas do Estádio Nacional - O Casal do Esteiro e o Farol com o mesmo nome


O Farol do Esteiro localiza-se no Alto do Esteiro, na mata do Estádio Nacional, aproximadamente 760 metros a NE do farol da Gibalta. Define, conjuntamente com este e com o farol da Mama (Serra de Carnaxide), o enfiamento da entrada da barra Sul do porto de Lisboa.


É uma torre prismática branca, de alvenaria, com duas faixas horizontais vermelhas ao meio, com edifício anexo. Está localizado a uma altitude de 82 metros relativamente ao nível do mar e a torre tem uma altura de 15 metros. Apresenta uma luz vermelha, fixa, gerada por aparelho óptico dióptrico catadióptrico, tipo olho-de-boi de 5ª ordem, com um alcance de 21 milhas e iluminação de sector de 15º. Nº nacional 212 e nº internacional D-2127.1.


O farol deve o seu nome ao local onde está implantado, o antigo Casal do Esteiro, junto à foz do Rio Jamor e que pertenceu à casa de Lafões, onde, na sequência do grande terramoto de 1755, se abriram “grandes olhões por onde gorgolejava água de mistura com areia branca[1].


No Aviso aos Navegantes nº 4 de 7 de Abril de 1913, a Direcção Geral de Marinha comunicava: “Que as luzes de direcção do canal de entrada da Barra Grande do Pôrto de Lisboa, actualmente instaladas no mirante de Caxias e em Pôrto Covo, vão ser transferidas respectivamente para os locais, em que se acham as marcas do Esteiro e da Gibalta, marcas que, conjuntamente com a marca da Mama, assinalam o eixo daquele canal (...)”.


O farol do Esteiro entrou em funcionamento em Maio de 1914, juntamente com o da Gibalta, mas, devido à 1ª Guerra Mundial, esteve apagado entre Março de 1916 e Dezembro de 1918.


As faixas centrais foram pintadas em 1926 na face sudoeste da torre, passando a apresentar 5 faixas alternadas brancas e vermelhas.


O edifício anexo foi construído em 1949, para albergar um rádio farol, passando a estar apagado a partir das 9:00 (entre Novembro e Fevereiro) e 1 hora após o nascer do sol nos restantes meses, a partir de 1950. O rádio farol direccional que foi instalado nesta época foi desactivado na década de 70. Foi electrificado por ligação à rede pública em 1951, mantendo um gerador de reserva em caso de falha da corrente, passando a luz do farol para fixa ritmada. Em 1957, foi montado um novo equipamento eléctrico que, no caso da falha de corrente, passa automaticamente a gás acetileno. Em 1960, a visibilidade do edifício foi ampliada pela instalação de 2 luzes fixas vermelhas que se mantinham acesas até às 12:00, mas que foram retiradas no ano seguinte. Em 1970, são instaladas 4 lâmpadas fluorescentes de 40W em armaduras estanques exteriores, mas foram retiradas alguns anos mais tarde. Foi automatizado em 1981, passando a ser monitorizado a partir da Central de Paço de Arcos, deixando de estar guarnecido por faroleiros.


Como desenvolvimentos mais recentes destacam-se o funcionamento em regime permanente entre 1 de Outubro e 15 de Março, a partir de 1987, o funcionamento em permanência e a instalação de um Racon “Q” em 1997 e a instalação de um novo sistema de monitorização (“ONROM”) em 2000.




[1] Retirado de “Oeiras”, Imprensa Portugal – Brasil, Lisboa, 1940, citado por José Pedro Machado em “Ensaio sobre a toponímia do concelho de Oeiras”, Câmara Municipal de Oeiras, 1980.



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