sexta-feira, 24 de setembro de 2010

As Quintas do Estádio Nacional - O Casal do Esteiro e a "Casa da EDP"


Já perto da rampa da Boa Viagem o terreno que foi conhecido por Esteiro do Jamor, a nora e a bela casa do chefe do pessoal dos trabalhos silvícolas (...)”.[1]


A “Casa da EDP” situa-se entre a Avenida Pierre de Coubertin e a Avenida Marginal, junto ao Complexo de Piscinas do Jamor.


Trata-se dum edifício de aparência senhorial com dois pisos e dimensões generosas.


A “Casa da EDP”, nome por que é conhecida na Cruz Quebrada, situa-se nos terrenos do antigo Casal do Esteiro, uma antiga propriedade agrícola da casa de Lafões.


Está implantada numa depressão, junto ao início da antiga calçada da Boa Viagem (hoje integrada na Avenida Marginal), onde havia um aglomerado de casas de habitação e vários estabelecimentos comerciais.


Fica adjacente aos terrenos que em época recente pertenceram à Lusalite e aos Fermentos Holandeses (Gist Brocades).


No local onde estão hoje os restos da fábrica da Lusalite esteve, há anos, a fábrica de curtumes de Luís Godinho. “Era êste um tipo autêntico de velho português, barba à passa-piolho e honradez inconcussa. Morava ao lado da fábrica, com sua família, numa garrida moradia de azulejos verdes (...).[2]


Antes disso, numa memória que perdura na Cruz Quebrada, “alongava-se antigamente, o campo desportivo dos inglêses, mais antigo que as duas fábricas. [3]


Já na época da fábrica de curtumes, situava-se nesses terrenos uma praça de toiros.


O madeiramento circular apoiava-se no morro e êste formava a sua parede de um dos lados. Grande parte das dependências da praça eram escavadas na rocha – e numa delas, cuja porta fôra pintada de encarnado, faziam-se os primeiros curativos dos toireiros feridos”.[4]


Quanto à casa da EDP, pelas informações que nos dá Gilberto Monteiro, sabemos que serviu de residência ao responsável pela florestação do Estádio Nacional, aquando da sua construção nos anos 40. Não se sabe se a sua construção data dessa época ou de época anterior. Sabe-se que na zona existia já pelo menos uma casa solarenga de épocas mais recuadas.


Trata-se dum bonito edifício amplo, pintado de branco com os madeiramentos e grades pintados de verde, de linhas direitas e com um telhado de quatro águas. A época da sua construção é indeterminada, tanto se podendo tratar duma casa dos anos 40, como da adaptação dum edifício senhorial duma época anterior.


O piso inferior tem janelas de guilhotina, ao passo que as do piso superior são de duas folhas com quatro panos, sendo estes em número de seis nas portas de acesso às varandas, que estão protegidas por bonitos trabalhos em ferro forjado. As bandeiras das portas também estão protegidas por gradeamento em ferro, reproduzindo alguns elementos do trabalho utilizado nas varandas.




[1] Gilberto Monteiro em “O Sítio da Cruz-Quebrada - Nótulas de Micro-História”, separata de “O Fermento”, 1964, página 185.

[2] Branca de Gonta Colaço e Maria Archer. Memórias da Linha de Cascais”, Parceria António Maria Pereira, 1942, página 105.

[3] Branca de Gonta Colaço e Maria Archer. op. cit., página 106.

[4] Branca de Gonta Colaço e Maria Archer. op. cit., página 107.


3 comentários:

  1. Interessante! E a quem pertence atualmente a casa? É da EDP ou desta apenas adotou o nome?

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  2. Interessante! E a quem pertence atualmente a casa? É da EDP ou desta apenas adotou o nome?

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  3. Tanto quanto saibamos, pertence à Fundação EDP, mas não conseguimos apurar muito mais...

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