terça-feira, 21 de setembro de 2010

As Quintas do Estádio Nacional - A Quinta do Balteiro


As ruínas da Quinta do Balteiro estão situadas no topo noroeste do Complexo Desportivo Nacional do Jamor, junto à actual pista de corta-mato. São ainda visíveis os restos de campos de cultivo e algumas estruturas agrícolas.


Correspondia a um conjunto de edifícios com jardim e pomar murado e integrava uma nora junto ao Jamor. Segundo alguns, tratar-se-ia duma casa de lavoura aristocrática, mas esta informação não pôde ser confirmada.


A Quinta do Balteiro está classificada no Plano de Salvaguarda do Património Construído e Ambiental do Concelho de Oeiras como Edifício Representativo da Tecnologia Construtiva da Época.


As referências históricas encontradas indicam que se trataria duma construção do século XIX, embora as suas características arquitectónicas nos remetam para épocas bem anteriores (século XVIII ou mesmo anterior).


Dos tempos mais antigos nada se sabe, apesar de se tratar claramente dum conjunto edificado importante pela sua dimensão e características arquitectónicas, que denunciam a riqueza dos seus antigos proprietários. Além disso aparenta ser de origem bem mais remota do que o século XIX.


Nos final dos anos 30 do século passado, sabe-se que pertencia a Paulo Balteiro, cujo nome figura na lista dos proprietários dos terrenos expropriados para construir o Estádio Nacional.


Já depois da Revolução de 1975, nos anos dramáticos que se seguiram à descolonização de Timor, a zona da Quinta do Balteiro serviu de refúgio a muitos timorenses, que aí viveram largos anos em barracas e em condições indignas. Dessa triste época, ficou-lhe um nome: “Vale da Morte Lenta”.


Anos mais tarde, já depois dos timorenses terem encontrado morada mais digna, foi construída uma pista de corta-mato em parte do vale e numa parte da encosta, na sequência da histórica vitória de Carlos Lopes no Campeonato do Mundo de corta-mato, que se tinha realizado em 1985 na margem oposta do rio, nos terrenos inicialmente destinados a um hipódromo.


No final dos anos 90 do século XX, os terrenos agrícolas da Quinta do Balteiro ainda eram explorados por um casal de idosos, que vendia os produtos agrícolas em Linda-a-Pastora.


Hoje, da casa só restam as ruínas e os restos de alguns anexos de vocação agrícola. Dos terrenos de agricultura, nada subsiste, com excepção dos terraços de cultivo, que ainda hoje são visíveis.


A Quinta do Balteiro é composta por uma casa de habitação principal e dois anexos de vocação agrícola e habitação rural.


A casa principal é um belo edifício pintado de rosa velho, com cantaria em pedra e elementos em ferro forjado nas janelas e gradeamentos. Apresenta um pé direito bastante baixo, o que nos faz situar a sua construção em época mais distante que o século XIX. A fachada nobre, virada a oeste, tem um alpendre com escadaria, de acesso ao piso superior, bastante mais amplo que o piso inferior.


Este tipo de configuração, remete-nos para as habitações de matriz agrícola, em que o piso inferior é utilizado para guardar as alfaias e recolher os animais e o piso superior se destina a habitação, neste caso dum lavrador abastado ou mesmo da nobreza rural, tendo em conta as dimensões da casa.


Por baixo do alpendre, existe um nicho, hoje vazio. À esquerda da escadaria de acesso ao alpendre existe um muro com vários elementos decorativos, encimados pelo que parece ter sido uma armação para colocação de um sino. Quando olhamos este muro da parte de trás, apercebemo-nos que terá sido aqui um portão de acesso, hoje entaipado, às traseiras do edifício.


As traseiras da casa principal e do anexo que a ladeia (que aparenta ter sido a residência dos caseiros ou doutros trabalhadores rurais) estão viradas para uma zona resguardada, onde o acesso do exterior se faria por um portão mais modesto, ainda hoje visível. Nessa zona, existem um tanque e um fontanário em pedra, com decorações simples.


Nos campos de cultivo abandonado, são bem visíveis os terraços, bem como as ruínas duma imponente nora. O pequeno anexo junto ao rio é uma curiosa estrutura hexagonal com um telhado de seis águas coberto por telha canudo.

2 comentários:

  1. Muito interessantes estes artigos sobre "As Quintas do Estádio Nacional".

    De ler e recomendar!

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  2. Obrigado Isabel! Também somos "fans" do seu blogue.
    !

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