sábado, 2 de outubro de 2010

Plano de pormenor da margem direita do Jamor e outros assuntos

Realizou-se na passada quinta-feira a reunião da Assembleia de Freguesia em que se discutiu a questão do plano de pormenor da margem direita do Jamor ou, trocado por miúdos, o mega-empreendimento previsto para os terrenos da Lusalite/Fermentos Holandeses (Gist Brocades) e que dá pelo nome de Porto Cruz.

A assembleia começou pontualmente com a meia hora destinada ao público, em que intervieram 3 fregueses sobre assuntos diversos e o Presidente da Junta deu alguns esclarecimentos.

Neste ponto, há a realçar a informação dada pelo Presidente da Junta sobre as obras para construir a rotunda das piscinas, que já começaram. Vão prolongar-se por 1 ano (!) e implicam o corte do trânsito entre a ponte sobre o Jamor e as piscinas, passado o trânsito a circular exclusivamente pela Marginal...

Prevemos tempos muito difíceis para os moradores da Cruz Quebrada e um aumento exponencial do consumo de comprimidos para os nervos e para as dores de cabeça. É que não vai ser nada fácil passar sem aquele bocadinho de estrada e os engarrafamentos vão ser uma constante... Aliás, nestas circunstâncias, o normal é trabalhar-se de um lado da estrada de cada vez, sem interromper o trânsito. Porque é que aqui se corta a estrada, pura e simplemente?

Também não conseguimos entender que arranjo viário será este que irá demorar 1 ano. Será preciso tanto tempo para colocar separadores fixos e fazer um redondel? Não cremos e aqui há certamente gato. Será já para pôr tudo a postos para as acessibilidades aos mega-empreendimentos Porto Cruz e Alto da Boa Viagem? Vamos investigar.

Depois, entrou-se no chamado período "antes da ordem do dia". E aí é que as coisas se complicaram...

Perante uma sala com bastante gente, seguramente interessada na "ordem do dia" e não no "antes da ordem do dia", os deputados municipais e o executivo da freguesia gastaram cerca de 1h30 minutos a discutir assuntos que o comum dos mortais não julgaria que fossem levados a Assembleia de Freguesia, mas sim tratados directamente com a Junta.

Para vos dar uma ideia, discutiu-se (à exaustão) a cor dos tijolos anti-derrapantes que estão a ser colocados nos passeios, o material dos corrimãos (se devem ser em aço ou ferro pintado de verde), as placas que indicam os limites da freguesia (imprescidíveis para não sermos invadidos pelas gentes de Linda-a-Velha, Algés e Caxias), a largura das riscas das passadeiras para peões, os grafittis na estátua de Santa Catarina e outros assuntos da mesma natureza...

Às 11 horas a Mesa declarou um intervalo de 10m e, naturalmente, quase todo o público aproveitou, exausto, para regressar a casa.

Os que resistiram e não arredaram pé tiveram finalmente direito a que se entrasse na "ordem do dia". Depois dos primeiros 2 pontos da agenda, que não levantaram grande discussão, passou-se ao que nos tinha levado lá.

O Presidente da Junta fez uma exposição sobre o plano de pormenor que supostamente estará em curso desde o final do primeiro trimestre deste ano, pese embora a ausência de movimentações visíveis nesse sentido na freguesia. Indicou que no fim da assembleia seria distribuído o documento aprovado em sessão camarária sobre esse plano de pormenor. Referiu-se às duas torres gémeas, à marina, à piscina, à creche, à nova estação de comboios, ao viaduto desde Algés até ao Alto da Viagem, etc. concluindo que o projecto é bom porque traz desenvolvimento e emprego. Na sua opinião, o principal ponto a rever seria arranjar uma forma da praia não desaparecer, basicamente uma forma de compatibilizar a construção da marina com a praia.

Seguiram-se várias intervenções de deputados municipais, em que foram expressas muitas dúvidas sobre este projecto, tendo acabado por se decidir marcar uma Assembleia de Freguesia extraordinária para dia 16 de Novembro às 16h, exclusivamente para debater este tema com a população duma forma aberta e com o concurso de especialistas.

Foi pedido que se fizesse chegar ao Presidente da Junta sugestões de especialistas a convidar para esclarecer a população sobre este projecto.

Pela nossa parte, não deixaremos de sugerir nomes de especialistas incontestados para nos virem esclarecer sobre o impacto deste projecto no ambiente e na nossa qualidade de vida, bem como sobre os riscos de construir em terrenos desta natureza.

Tratou-se depois do último ponto da ordem do dia e a assembleia foi encerrada.

A sensação é de desilusão. O tempo gasto em assuntos corriqueiros foi mais do triplo do gasto em assuntos de importância vital para a freguesia. Perderam uma oportunidade de se fazerem ouvir sobre questões importantes pelas pessoas que quase enchiam a sala porque as pessoas, pura e simplesmente, não aguentaram o debate sobre a cor dos tijolos.

4 comentários:

  1. Obrigada pelo relatório. Vamos tentar lá estar em Novembro. Eu como estou habituada "à côr dos tijolos" aqui na minha Freguesia e à Municipal devia não me espantar com a CQ/D.
    Clotilde

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  2. Cara Clotilde,
    Não tem de quê! Infelizmente, muita gente acha que esse tipo de debates é propositado para fazer as pessoas irem-se embora e não estarem lá quando se discutem coisas realmente importantes. A ser assim, é triste.

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  3. Já existe alguma ideia sobre o dito viaduto (altura, traçado, etc)?

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  4. Caro João,
    Por incrível que pareça, o que se sabe é que a intenção é construir o dito viaduto em aterro dentro do rio, à altura dum 1º andar, entre Algés (Pedrouços) e os terrenos da Lusalite e depois o Alto da Boa Viagem, aí já integrado nos acessos a este empreendimento.
    Basicamente, trata-se de prolongar a CRIL desde Pedrouços até ao Alto da Boa Viagem...
    Como vê, temos motivos de sobra para estarmos preocupados.

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